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Foz do Iguaçu

Cidade jardim


Por: Garon Piceli

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Sentado, agora, em minha mesa, em meu quarto, nessa madrugada que é só minha, uma nostalgia tomou conta de mim. Viajei no tempo, voltei o relógio 18 anos e lá estava eu na Vila A, o lugar onde nasci e me criei. Lugar onde vivi até meus 15, 16 anos e de onde saí para viver em outras bandas sem, no entanto, esquecer os gramados, as pracinhas, as ruas e os bosques, incorporados em mim para todo o sempre efêmero de minha vida.

 

Lá andávamos por todos os cantos, desbravávamos todos os bosques, matagais e lugares secretos. Era uma vida de aventuras e isso contribuiu muito para minha capacidade de abstrair e, principalmente, para entender que é preciso viver em meio ao verde, a vida comunitária e a simplicidade.

 

No tempo que eu morava por lá, éramos filhos de barrageiros. Eu tinha uma vida digna, mas não luxuosa. Tinha boa escola, saúde e, principalmente, lazer. Fazia oficinas de arte, onde aprendi teatro, serigrafia, um pouco de música e, o mais importante, a convivência.

 

A Vila A é um exemplo urbanísticos para o Brasil e o para o mundo. Deve ser seguido em sua essência, em seu modo, em seu método. Preservar esse patrimônio é essencial e uma tarefa para nós iguaçuenses de nascimento ou opção.

 

O bairro tem todos os atributos para tornar-se mais um ponto de visitação na cidade.

 

O que vejo, no entanto, é a destruição desse patrimônio por parte, principalmente, da especulação financeira, não só a imobiliária, mas também a midiática, a estética e, até, a religiosa. O bairro, inspirado nas Cidades Jardins, tem seus acessos poluídos por anúncios publicitários de todos os gêneros. Uma “catedral” está sendo construída em uma área verde, antes de convivência. Uma rua foi fechada para tal construção. Além disso, anúncios publicitários são comercializados em frente à obra, tendo aí os primeiros sinais de poluição visual em toda o bairro.

 

Outro fenômeno observado é perda gradativa das características construtivas. As casas, antes dividas em três ou quatro tipos, de dois tamanhos para cada tipo, hoje são substituídas por casas de dois pavimentos, traços retos e de valorização dos egos individuais e, até, ostentação. Perde-se, aos poucos, o caráter comunitário do bairro. Ontem descobri que estão a construir uma edificação particular de mais de dois pavimentos dentro do bairro. Fiquei entristecido ao ver a obra, perto do Costa Cavalcante.

 

Nas avenidas periféricas a tragédia maior: casas são demolidas para dar origem a estacionamentos, imóveis comerciais e até prédios de mais de três pavimentos. Sou do tempo em que na Sílvio Américo Sasdelli só existia, “do lado de cá”, a delegacia da Polícia Civil, a Sanepar, a “Prefeitura” e a Assembleia de Deus. Agora vemos uma proliferação de prédios iguais, tipizados e que ocupam praticamente toda a área do terreno.

 

O Gramadão, se não fosse pelas bancas de bebidas alcoólicas vendendo para menores, seria, em minha opinião, o único lugar que melhorou dos meus tempos de Vila A para cá. O resto, infelizmente, só me entristece todas as vezes que lá vou para ver o bairro de tantas saudades e, até pouco, meu grande sonho de novamente morar e, até, criar meus filhos.

 

 


 
 

* Luiz Henrique Dias é escritor, membro do Núcleo de Dramaturgia do SESI. Escreve todas as quartas nesse espaço onde discute a cidade e o homem, com doses homeopáticas de poesia. Para ler mais acesse www.blogdoluiz.com.br ou siga ele no twitter @LuizHDias.

 

 

 

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