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Eles nunca foram campeões, Final: José Carlos "Moco" Pace


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Este é o meu último texto da série em comemoração os 60 anos da Fórmula 1, sobre os quatro grandes pilotos que nunca chegaram a conquistar um título na categoria. Você pode ler também as 3 primeiras partes, sobre Peterson, Moss e Villeneuve.

Imagem: Arquivo pessoal da família Pace
José Carlos Pace, o "Moco"

Nascido em 6 de outubro de 1944, em uma família de classe média de São Paulo, José Carlos Pace foi um daqueles pilotos que gostavam de competir em qualquer modalidade. Criança, construía seus próprios carrinhos de rolimã para descer as ruas acidentadas do Pacaembu. Na adolescência, fugia das aulas para nadar no Palmeiras, onde foi campeão e recordista juvenil dos 100 metros livres.

Começou a competir escondido da família, que projetava no “Carlinhos” o herdeiro para a sua próspera tecelagem no bairro do Ipiranga. Seus pais, Angelo e Amélia, tomaram um grande susto ao ouvir, na transmissão de rádio de uma corrida de Interlagos, o nome completo do campeão, que corria sob o pseudônimo de “Moco” – corruptela de “mouco”, apelido que Pace ganhou na infância, por fingir não ouvir o que os outros diziam. Sem mais o que fazer, resolveram apoiar o filho em sua paixão.

Já nos anos 70, mudou-se para a Inglaterra com a mulher, onde estudou na renomada escola de pilotagem de Jim Russell. No mesmo ano, após seis vitórias e seis recordes em 33 largadas, Moco se tornou campeão da Fórmula 3 inglesa. No ano seguinte, rumou para a Fórmula 2, principal porta de entrada para a Fórmula 1.

Apesar de corridas problemáticas, foi a única vitória na categoria, em Imola, na Itália, que lhe rendeu um convite de Frank Williams para correr com os recauchutados carros Mach de sua equipe, na Fórmula 1, ao mesmo tempo que competia pela equipe de Protótipos da Ferrari – onde fez um pódio na clássica prova das 24 horas de Le Mans de 73.

A mudança para a F1 maximizou seus defeitos e virtudes como piloto. Arrojado e muito técnico, Moco era um ótimo condutor, mas não como Fittipaldi, Stewart ou Senna. Pé-de-chumbo e determinado, ignorava o perigo das curvas e reduções de marcha. O jornalista Wilson Fittipaldi, comentarista da época, dizia que ele conhecia muito pouco de mecânica e da funcionalidade dos carros. Apesar disso, o anuário de 1973 da Autocourse o colocou entre os melhores pilotos do mundo, perdendo apenas para Jackie Stewart, Ronnie Perterson e o brasileiro Emerson Fittipaldi.

Imagem: Divulgação
Pace, carregado por torcedores, ao lado de Emerson Fittipaldi

No meio da temporada de 74, mudou-se para um time grande: a Brabham, comandada pela inglês Bernie Ecclestone (hoje, dono da marca F1 e chefe comercial da categoria). Terminou o campeonato em 12º, chegando a conquistar um 2º lugar no GP do Estados Unidos, em Watkins Glen.

 

1975 foi seu melhor ano. Sagrou-se campeão do Grupo 1 do Campeonato Brasileiro de Turismo, venceu as 25 horas de Interlagos e, na Fórmula 1, liderou a primeira dobradinha brasileira (com o amigo Fittipaldi) ao vencer o GP do Brasil – sua única vitória. Com 24 pontos, foi o 6º no campeonato.

A tragédia – Após uma apagada temporada de 76, quando a Brabham utilizou os péssimos e pesados motores Alfa Romeo de 12 cilindros e Pace fez apenas sete pontos, o brasileiro chegava à 1977 considerado um dos favoritos ao título. A equipe tinha o carro mais rápido e Moco ganhara a preferência de Ecclestone como 1º piloto.

Moco estreou a temporada com um 2º lugar no GP da Argentina, mas a esperança em um terceiro título brasileiro na Fórmula 1 acabou em 18 de março de 1977, quando o monomotor PP-EHR que levava Pace e o amigo Marivaldo Fernandes caiu em Mariporã (SP). Morria, ali, uma das figuras mais carismáticas do automobilismo brasileiro, que mais tarde daria seu nome ao atual circuito de Interlagos.

José Carlos Pace foi injustamente esquecido, parte pelos poucos resultados, parte pelo momento de declínio que os brasileiros passavam na competição. Um piloto em constante acensão dentro da Fórmula 1, mas que, quis o destino, não chegou a ser campeão.

*Belenos é acadêmico de Comunicação Social, responsável pelo @f1brasil, no Twitter, e já não perde uma corrida desde Mônaco-1999.

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