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Eles nunca foram campeões, segunda parte: Stirling Moss, 4 vezes vice


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Foto: Divulgação
Stirling Moss, 4 vezes campeão mundial de Fórmula 1

Continuando a série em comemoração aos 60 anos da Fórmula 1, que conta um pouco da história de quatro pilotos que, apesar de traduzirem o real sentimento do automobilismo, nunca chegaram a ser campeões. Se você começou a acompanhar agora, a primeira parte foi sobre o Ronnie Peterson.

O simpático senhor na foto ao lado é o britânico Stirling Crawford Moss, uma lenda viva do automobilismo mundial, que competiu na “era de ouro” da Fórmula 1, entre as décadas de 50 e 60, ao lado de outros mitos, como Nino Farina, Aberto Ascari e Juan Manuel Fangio. Com 16 vitórias e 24 pódios, somou 188,1 pontos e quatro vice-campeonatos na categoria máxima. O fato de não ter sido campeão é visto por muitos como uma das maiores injustiças do esporte.

Stirling tem velocidade no sangue. É filho de Alfred Moss, um dos melhores pilotos ingleses da sua geração e um dos primeiros estrangeiros a se aventurar no automobilismo americano, na clássica prova das 500 Milhas de Indianápolis, pela Ford. Sua irmã, Pat Moss, também fez sucesso no Rally, nos anos 60 e 70.

Começou a pilotar precocemente aos nove anos, para, uma década depois (1948), começar a chamar atenção de John e Charles Cooper, fundadores da marca que revolucionaria o esporte a motor nos anos seguintes.

Estreou na Fórmula 1 com um 8º lugar no GP da Suíça de 1951 – 2ª temporada da competição, a bordo de um HWM. Apesar de resultados expressivos em outras categorias, como o Rally de Montercarlo de 52, onde chegou em 2º, Moss só voltou se destacar em 1954, quando seu pai adquire um Maserati. Naquele mesmo ano, com um pódio em Spa-Francorchamps e a volta mais rápida de Silverstone, é contratado por Alfred Neubauer, chefe da Mercedes, para pilotar ao lado de ninguém menos do que o então bicampeão Juan Manuel Fangio, com quem construiu uma duradoura amizade.

Com uma flecha de prata em mãos, Moss protagoniza um momento antológico em território italiano, vencendo a edição de 1955 da Mille Miglia, uma prova de enduro de 1500 km, com o tempo recorde de 10h6min48s. O segredo? O rolo de quatro metros de papel onde o seu co-piloto, o jornalista Dennis Jenkinson, havia anotado todos os segredos da estrada. Nascia, ali, a função de “navegador”, que existe até hoje em competições semelhantes.

 

O caminho para a glória, na Fórmula 1, parecia estar cada vez mais curto. Com bons resultados em Spa e Zandvoort, Moss partia para participar da mais clássica das competições em solo europeu: As 24 horas de Le Mans. Mal sabia que o circuito francês seria palco da maior tragédia da história do automobilismo, o que mudaria o rumo de sua carreira.

Enquanto liderava a corrida, com Fangio em segundo, uma manobra defensiva de Lance MacKlin, num Austin-Healey, atinge o 3º Mercedes de Pierre Levegh, que explode na barreira da reta e atinge as pessoas próximas. Pierre e outras 84 pessoas morreram no local e outras 76 ficaram mutiladas. Em respeito às vítimas, a Mercedes abandona a corrida, deixando a vitória para Mike Hawthorn, e anuncia a sua retirada do esporte, ao final da temporada.

Moss ainda venceu o GP da Grã-Bretanha, em Aintree, semanas depois. O primeiro britânico, por sinal. Com 23 pontos conquistados, tinha em mãos o seu primeiro vice-campeonato, o que se repetiria nos três anos seguintes.

Em 56, de Maserati, venceu os GPs de Mônaco e da Itália, mas a Ferrari, agora com Fangio e Peter Collins, era imbatível.

Após uma corrida pela Maserati, em 57, junta-se ao jovem e promissor Colin Chapman, na Vanwall, com o qual venceu três provas (Grã-Bretanha, Itália e o único GP de Pescara). A parceria teve um pequeno hiato, quando a equipe, que ainda não tinha um carro pronto, o libera para procurar um time provisório.

No GP da Argentina, abertura do campeonato de 58, Stirling Moss prova que, além habilidade ao volante, tem também vocação para santo. Com um Cooper 100 cavalos menos potente que seus adversários, largando em 7º, vence a prova na estratégia de pneus. A primeira vitória da equipe e de um carro com motor na traseira.

A vitória deu mais força ao britânico, que, de volta à Vanwall, venceu na Holanda e foi segundo na França, corrida que ficou marcada pela morte do rival Luigi Musso e aposentadoria de Fangio das pistas. Agora, ele só tinha Mike Hawthorn como adversário direto.

No GP de Portugal, após abandonar por duas provas seguidas, consegue chegar em primeiro, seguido de Hawthorn. Só que o compatriota havia sido desclassificado, mas um depoimento de Moss, que não imaginava as consequências futuras, o colocou de volta nos pontos.

“Os meus sentimentos em relação a aquele incidente nunca mudaram. (…) É irrelevante que foi por causa disso que não consegui o título”, afirmou, anos depois.

O último GP do ano foi no Marrocos. Moss precisava ganha e torcer para Hawthorn chegar em 3º, para sagrar-se campeão. E assim acontecia, até que a Ferrari ordena uma troca de posições – sempre a Ferrari, não é? – entre o americano Phil Hill (2º) e Hawthorn (3º), dando o título ao inglês.

Com a saída da Vanwall, Moss teve que se contentar com um Cooper T51, comprado por Rob Walker, herdeiro da famosa marca de bebidas e seu patrocinador até o final da carreira. O ano de 59 não foi de grandes resultados, apesar do domínio do companheiro Jack Brabham. Conseguiu somar 25,5 pontos, duas vitórias (Monsanto e Monza) e a 3ª colocação no campeonato.

No ano seguinte, Walker adquire um Lotus 18 de 2,5l. Foi com esse carro pouco potente, mas muito estável, com o qual Moss conquistou a primeira vitória com o chassi do lendário time de Colin Chapman, no GP da Argentina de 1960. O próprio Team Lotus só veio conquistar sua primeira vitória oficial um ano e meio depois.

Carreira abreviada – Moss ainda tinha velocidade e dinheiro para ser campeão, não fosse o trágico GP da Bélgica de 1960, em Spa. Nos treinos livres de sexta-feira, o eixo do Lotus 18 se desprende, atirando Moss para fora. Vivo, mas com duas pernas quebradas, três vértebras esmagadas e várias contusões, sua carreira estava acabada. “Senti algo estranho, até que fui ultrapassado por uma das minhas rodas traseiras e pensei: ‘agora é que vou morrer’”, lembra.

Dois meses depois e ainda com muitas dores, contrariando médicos e a sanidade de uma pessoa comum, voltou a correr. Venceu o GP extra-campeonato da Suécia e a última prova do ano, em Riverside, EUA.

Em 1961, mesmo sem um carro potente, venceu as suas últimas e melhores corridas: os GPs de Mônaco e da Alemanha, no velho Nurburgring.

O ano estava sob o domínio da Ferrari, mas a genialidade de Moss o conduziu a uma pole-position e vitória dignas de grandes campeões, nas ruas do principado. “A corrida durava 100 voltas. Tive que andar ao nível do meu tempo da pole em todas aquelas cem voltas, sob pressão das Ferrari, que estavam atrás de mim e tinham um pouco mais de potência do que o meu carro”, conta.

Pela floresta de Nurburg, diante de 300 mil espectadores e torcedores de Wolfgang von Trips, o show foi na chuva. Largando com a pista molhada, Moss pula na frente e segura as Ferrari de Von Trips e Phil Hill até a última volta, conquistando o recorde de 16 vitórias britânicas na Fórmula 1.

Sua última atuação oficial na categoria foi durante o GP da Itália de 1961, o qual abandonou na volta 58, com problemas no motor.

Stirling Moss ainda chegou a cogitar correr a temporada de 1962, com uma Ferrari 156 Squalo, enviada pelo próprio Enzo Ferrari, mas um acidente durante o Glover Trophy, no circuito de Goodwood, que o deixou em coma por 1 mês, encerrou definitivamente sua carreira.

Curiosidades – Em 1950, a Ferrari chamou Moss para participar de algumas corridas. Antes de sua estreia numa prova de turismo, em Bari, ao descobrir que fora substituído por Piero Taroffi, jurou que nunca mais pilotaria um carro da marca de Maranello.

É um dos três únicos pilotos a ter o título de Cavaleiro do Império Britânico, ao lado de Jack Brabham e Jackie Stewart, pouco depois de entrar para o International Motorsports Hall of Fame, em 1990.

O último carro esportivo construído pela parceria McLaren-Mercedes, o Mercedes SLR McLaren 722, codinome “Sirling Moss” é inspirado no modelo Mercedes 300 SL, vencedor da Mille Miglia de 1955. Apenas 75 unidades foram produzidas, em processo quase todo manual.

*Belenos é acadêmico de Comunicação Social, fã de Fórmula 1 da era pós-Senna e já não perde uma corrida desde Mônaco-1999.

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