O monitoramento da fauna no Parque Nacional do Iguaçu revelou novos detalhes sobre a população de onças-pintadas que vive na região. Entre julho e setembro de 2026, o Projeto Onças do Iguaçu identificou 31 indivíduos diferentes, sendo 28 adultos e 3 filhotes. Além disso, a equipe encontrou 2 animais adultos que ainda não faziam parte do catálogo de identificação dos pesquisadores.
O levantamento reuniu mais de 150 mil registros produzidos por câmeras instaladas em diferentes áreas da mata. Com esse material, os pesquisadores também conseguiram identificar 26 espécies de mamíferos, além de diversas aves que circulam pelo parque.
Para realizar o acompanhamento, a equipe revisou 78 pontos de monitoramento. Desse total, 46 apresentaram registros de onças-pintadas, o que contribuiu para ampliar o conhecimento sobre a presença da espécie na unidade de conservação.
Pesquisadores identificam novos indivíduos
Entre as descobertas do trimestre estão 2 onças adultas que apareceram pela primeira vez nas análises do projeto. Uma delas recebeu o nome de Mbyja, que significa estrela em guarani. Já a outra é um macho chamado Tembi.
Além desses novos indivíduos, as câmeras registraram uma onça adulta caminhando com um filhote. Os equipamentos também acompanharam animais que já fazem parte do monitoramento, permitindo observar sua presença e algumas interações.
Um dos destaques foi Cacira, que apareceu em 120 registros ao longo dos 3 meses. As imagens também mostraram encontros e interações entre diferentes onças-pintadas. Dessa maneira, o material ajuda os pesquisadores a compreender melhor os hábitos e o comportamento desses animais.
Câmeras mostram a diversidade da fauna
Embora as onças-pintadas sejam o principal foco do projeto, o monitoramento também revelou a presença de diversas outras espécies. Entre elas estão antas, capivaras, veados-mateiros, jaguatiricas, tamanduás-bandeira e tamanduás-mirins.
Esses animais desempenham funções essenciais para a manutenção da Mata Atlântica. Enquanto algumas espécies contribuem para espalhar sementes, outras participam diretamente dos processos de regeneração da vegetação. Portanto, acompanhar essa diversidade também permite avaliar aspectos importantes da conservação ambiental.
Durante o trimestre, entretanto, as equipes precisaram lidar com obstáculos naturais. As chuvas e a elevação do nível dos rios dificultaram o acesso a alguns pontos do parque. Por isso, os pesquisadores transferiram câmeras de determinados locais para continuar registrando a movimentação dos animais.
Projeto atua na prevenção de conflitos no campo
Paralelamente ao trabalho realizado dentro do parque, o Projeto Onças do Iguaçu mantém atividades junto às comunidades rurais do entorno. A iniciativa busca orientar os moradores sobre como evitar conflitos com animais silvestres, especialmente em situações que envolvem ataques a animais domésticos ou de criação.
Entre julho e setembro de 2026, as equipes visitaram 26 propriedades rurais em 8 municípios da região. Ao todo, realizaram 62 visitas durante esse período.
Além das ações preventivas, os profissionais atenderam 8 ocorrências de ataques a animais domésticos ou de criação, distribuídas por 6 municípios. Nesses casos, a equipe procura identificar os possíveis predadores e orientar os proprietários sobre medidas que ajudam a reduzir o risco de novos episódios.
O Projeto Onças do Iguaçu é uma iniciativa do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que desenvolve o trabalho em parceria com instituições de pesquisa e conservação ambiental.
Assim, além de acompanhar a população de onças-pintadas e outras espécies, o projeto procura aproximar a conservação da natureza da realidade das comunidades rurais. A proposta é proteger uma espécie fundamental para o equilíbrio da Mata Atlântica e, ao mesmo tempo, incentivar uma convivência mais segura entre os animais silvestres e os moradores da região.
Foto em destaque: Reprodução/Projeto Onças do Iguaçu