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Foz do Iguaçu

O lagarto, o descaso e a consciência de uma cidade ambiental


Por: Garon Piceli

Publicado em:


Centro de Foz do Iguaçu. Cruzamento da Rua Almirante Barroso com a Rua Rui Barbosa. Já passava das onze da noite quando, voltando para casa, avistamos um pequeno grupamento de pessoas em torno de algo. Curioso que sou, parei o carro e fui até lá, querendo saber detalhes. Foi quando me dei conta que ali, parado, estava um lagarto. Eu não entendo de lagartos, mas parecia ser um grande lagarto. E foi então que tudo aconteceu.

Alguns passantes disseram ter avistado o lagarto atravessando a rua e tentaram acionar as autoridades. Segundo eles, foi telefonado para a Polícia Militar (que tem a Força Verde) e para a Guarda Municipal. Nenhuma das duas forças atendeu o chamado. No enrola enrola, o lagarto acabou sendo atropelado e, quando chegamos ao local, já agonizava na calçada, mas ainda estava vivo.

Indaguei os presentes sobre os pedidos de ajuda e todos relataram o descaso frente ao caso. Tomei então a responsabilidade de ligar para a Força Verde. Disquei 190 e fui atendido por um policial. Pedi a ele se, através do 190, conseguiria falar com a Força Verde. Ele disse que sim. Então expliquei o caso. Aí ele disse que não. Achei estranho. “Mas a Força Verde não é da PM?”. “É.”. “Então… você pode mandar eles aqui?”. “Não. Não temos viaturas disponíveis.”. “Mas e as viaturas da Força Verde?” – afinal, elas servem para isso, acho. Ele então me disse “não vou deslocar uma viatura para aí por causa de um lagarto”. Eu ainda contextei “mas esse bicho tá na rua. E não é só por ele. Aqui é o Centro da cidade, passa gente por aqui. As pessoas podem se assustar, cair, se machucar. Sei lá. Alguém tem que vir aqui ver isso.”. Ele, já irritado comigo, engrossou a voz e disse algo mais ou menos assim “amigo, olha aqui, larga esse lagarto aí e vai pra casa. Tem gente morrendo e eu não vou deslocar uma viatura.”. Ele me ofereceu um telefone pra eu ligar no outro dia, pela manhã, e informar sobre o lagarto na rua. Claro que não adiantava nada. Ele se despediu de mim. E ficou nisso.

O lagarto morreu ali. Como podem ver na foto.
 

Tentei então acionar a imprensa. Telefonei para quatro emissoras de televisão, três não atenderam, uma disse que não tinha equipe. O jornal local também não atendeu. O resultado é que tivemos que jogar o lagarto no bueiro, pra não matar ninguém de susto pela manhã, e seguir para casa, desolados.

Depois fiquei a pensar: sempre há uma viatura da Força Verde ali no encontro da Jorge Schimmelpfeng com a Paraná, parada no Posto de Gasolina, cuidando dos motoristas e, até, aplicando multas. Já fui parado em blitz em que a Força Verde tinha viaturas envolvidas. Pra que serve esta tal “Força” no espaço urbano?

E mais: a Guarda Municipal afirma que não tem efetivo para esse tipo de ação. Que o ideal é acionar o Centro de Controle de Zoonoses, mas o horário de atendimento é comercial.

Fica uma pergunta: somos uma cidade ecológica mesmo?

 


 

 * Luiz Henrique Dias é escritor e analista urbano. Ele escreve todas as semanas aqui no Click e, diariamente, em seu site luizhenriquedias.com.br. O Luiz é um daqueles caras hipócritas que ficam reclamando das pessoas que fazem xixi na rua e deixam a sujeira de seus cachorros. Mas já flagramos ele mesmo abandonando “caca” do seu cachorro na calçada, o que prova que a cidadania ainda é um sonho distante, mas possível. Apesar dessa incoerência, sigam ele no twitter @LuizHDias.

 

  A opinião emitida nesta coluna não representa necessariamente o posicionamento deste veículo de comunicação

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