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Foz do Iguaçu

Os "corretores" de hotéis e a paciência dos turistas Abordagens estranhas e perseguições perigosas são situações tradicionais nas esquinas da cidade, isso não pode continuar assim

Abordagens estranhas e perseguições perigosas são situações tradicionais nas esquinas da cidade, isso não pode continuar assim


Por: Garon Piceli

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Amigos, durante os muitos anos que morei em Foz do Iguaçu, sempre achei exótica a presença daquelas pessoas que ficam nos principais cruzamentos e acessos da cidade, geralmente de colete amarelo, abordando turistas que chegam de carro e oferecendo serviços em hotéis.

Por diversas vezes comentei com amigos sobre práticas consideradas, por mim, no mínimo, ousadas como perseguir carros com motos ou até mesmo bicicletas e, por vezes, parecerem até estúpidos quando os visitantes não aceitam suas sugestões de hospedagem. Cheguei, inclusive, a perguntar para algumas pessoas sérias do setor hoteleiro e de turismo – onde esses trabalhadores são conhecidos como "piranhas" – sobre as opiniões acerca da atuação desses "profissionais" e durante a Conferência Municipal de Turismo acompanhei alguns debates sobre a presença deles nos cruzamentos. Em todos os casos, ouvi muitas críticas e queixas.

Mas nunca havia sentido na pele uma abordagem.

Como sabem, estou passando um período fora da cidade, trabalhando e estudando em outro estado. Vim passar as festas de final de ano com minha família e optei em vir de carro. Como minha placa é de outra cidade, toda vez que paro em um semáforo em que há um desses "piranhas" sou abordado. Para alguns, digo que sou da cidade e apenas a placa é de fora. Para outros, digo que não preciso de hotéis porque tenho a casa de parentes para ficar. E assim sigo, sendo educado, atencioso e entendendo a função social de cada um.

Porém, em uma das abordagens, resolvi experimentar o "serviço".

– Amigão, já tem hotel?
– Ainda não.

Ele tirou um panfleto de um dos, na minha humilde opinião, piores hotéis da cidade.

– Tem esse, é bom, completo, café, etc.
– Olha, sinceramente, não. Obrigado.
– Por que não? Você não tem hotel. Fica nesse.

Já era um pouco mais agressivo.

– Senhor, obrigado, mas prefiro procurar por conta. Abraço.

Neste momento o sinal abriu e eu segui em frente. Muito me atentou o fato do cara ter saltado em um moto e começado a perseguir meu carro. No outro sinal ele parou perto e tentou falar comigo, que nesta hora já estava com o vidro fechado, e ele, mesmo assim, começou a me acompanhar pelas ruas do Centro. Era como se estive esperando para ver onde (em que hotel) eu iria parar e tentar tirar uma caixinha do dono do hotel, alegando, talvez, que eu fosse seu cliente.

Como sou iguaçuense, confesso não ter ficado muito assustado com o fato de o homem estar me seguindo, pois sei que eles fazem isso mesmo (apenas imaginei que faziam com quem aceitasse o serviço). De qualquer forma, fui pensando o quanto o turista se sente acuado ou mesmo pode pensar que se trata de uma tentativa de assalto. Imaginem: entrar em uma cidade desconhecida e começar a ser perseguido por um motoqueiro. Fui pensando, também, como eu me sentiria se isso acontecesse em outra cidade. Fui analisando, ainda, o quanto esse tipo de atitude pode ser perigosa, uma vez aquele homem veio com sua moto em alta velocidade e fazia malabarismos para conseguir se manter próximo ao meu carro.

Para me livrar do cara, entrei com o carro em um acesso de um hotéis "melhores" da cidade, pois sei que, geralmente, esses estabelecimentos não são coniventes com a prática. Dito e feito, ele desistiu e foi embora, não sem antes passar perto do meu carro e gritar "esse é fria".

Livre do "piranha", segui meu caminho.

Foz do Iguaçu, como sabemos, é uma cidade complexa: fronteira, turismo, desemprego, violência, etc. É inevitável que as pessoas, principalmente as excluídas da chamada economia formal, encontrem maneiras de sobreviver. Mas não podemos deixar que algumas práticas sejam prejudiciais à cidade e ao turismo, uma vez que este é também gerador de empregos.

Precisamos encontrar formas de ou qualificar esses trabalhadores para outros serviços ou, caso queiram seguir fazendo o que fazem, orientá-los a melhorarem as formas de abordagens e, principalmente, para trabalharem de maneira positiva pela cidade, não criticando, por exemplo, estabelecimentos que não usufruam de seus serviços de agenciamento.

A Prefeitura precisa acompanhar o caso e a Câmara regulamentar a profissão, ou mesmo, se for o caso, proibir essas práticas.

Assim a cidade ganha porque recebe melhor as pessoas. O Turista ganha, porque não corre o risco de se sentir encurralado em seu passeio. O Turismo ganha porque oferece serviços de qualidade. E o cidadão ganha porque pode falar a todos que mora em uma cidade mais agradável e receptiva.

 


 

* Luiz Henrique Dias é escritor. Leia mais em www.luizhenriquedias.com.br ou siga ele no twitter: @LuizHDias.

 

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