A integração econômica entre Brasil e Paraguai atingiu um novo patamar em 2026. Segundo dados oficiais do Ministerio de Indústria e Comércio do Paraguai, divulgados pelo jornal ABC Color, o Brasil lidera isoladamente a lista de países que mais negociam com as indústrias paraguaias beneficiadas pela Lei de Maquila. O fluxo de mercadorias que cruza a fronteira em direção ao mercado brasileiro é, hoje, o principal motor desse modelo industrial no país vizinho.
Setores como autopeças, têxteis e plásticos são os protagonistas dessa relação comercial, aproveitando a logística facilitada pela proximidade geográfica com os grandes centros de consumo do Sul e Sudeste do Brasil.
Entenda: O que é a Lei de Maquila?
Para o leitor que vê o termo nas notícias, mas não sabe como funciona, a Lei de Maquila (Lei nº 1.064/97) é um regime de incentivo à exportação que transforma o Paraguai em uma plataforma produtiva global. Funciona assim:
- Tributo Único: As empresas pagam apenas 1% de imposto sobre o valor agregado ou sobre a fatura de exportação.
- Isenção de Impostos: Há isenção total de impostos para a importação de máquinas, matérias-primas e insumos necessários para a produção.
- Foco na Exportação: Para usufruir do benefício, a empresa deve exportar a produção, podendo vender apenas uma parcela mínima no mercado interno paraguaio sob condições específicas.
- Origem do Produto: O produto final ganha o selo “Made in Paraguay”, o que facilita a entrada em outros países do Mercosul com tarifas reduzidas.
Brasil, o maior cliente…
O relatório do Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai aponta que 81% das exportações de maquila tiveram como destino os países do Mercosul. Neste cenário, o Brasil se consolida como o principal mercado, absorvendo 67% dos envios, seguido pela Argentina, com 13%. Além dos parceiros regionais, os produtos também foram exportados para destinos internacionais como Estados Unidos, Países Baixos, Bolívia, Chile e Uruguai, entre outros mercados.
Por que o Brasil é o parceiro ideal?

De acordo com o levantamento do ministerio, a “maquila” paraguaia funciona, na prática, como uma extensão das fábricas brasileiras. De cada dez indústrias maquiladoras no país vizinho, sete têm origem no Brasil. Esse movimento de buscar custos mais baixos se intensificou na última década, atraindo marcas icônicas como Estrela (brinquedos), Buddemeyer (cama e banho), Koumei (lâmpadas) e o grupo de moda Lunelli.
Para enfrentar a concorrência agressiva de gigantes chinesas como a Shein, a indústria têxtil brasileira encontrou no Paraguai uma forma de igualar as condições de produção. Um exemplo sólido é o Grupo Texcin S.A., que em parceria com a Riachuelo, investiu US$ 5 milhões, ainda em 2017, em uma planta industrial voltada para a produção de vestuário feminino, com foco nas consumidoras brasileiras.
Mais recentemente, a Lupo seguiu o caminho, injetando R$ 25 milhões em sua filial em Ciudad del Este.
A “onda” brasileira não para por aí. A Kidy Calçados, com fábricas em MS e SP, já prepara as malas para cruzar a fronteira. Outro movimento de peso foi a recente visita do Vice-ministro de Indústria e Comércio, Marco Riquelme, às instalações da DASSTEX. O projeto é uma aliança entre o Grupo Texcin e o Grupo Dass (maior gestor de marcas esportivas das Américas). Com investimento projetado de US$ 40 milhões, a nova planta focará em artigos de alta performance para marcas globais como Nike, Fila, Umbro, ASICS e Champion.
Essa dinâmica consolida a nossa fronteira como um hub logístico e industrial. A dependência positiva do mercado brasileiro mostra que o crescimento da indústria paraguaia está diretamente ligado à saúde econômica do Brasil, fortalecendo o comércio bilateral na Ponte da Amizade.
Com Informações: Jornal ABC Color e Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai
Fotos: Divulgação/Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai
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