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Um Renato para a nova geração Eu tinha quatorze anos quando o Renato Russo morreu

Eu tinha quatorze anos quando o Renato Russo morreu


Por: Garon Piceli

Publicado em:

Lembro-me bem daquele dia: eu acabara de virar fã do Legião Urbana, apesar de já conhecer as músicas há alguns meses, por influência de minhas irmãs mais velhas e, há poucas semanas, estava viciado na banda. Ouvia as Quatro Estações no walkman (sim, fita K7) quando cheguei ao colégio (era o Ayrton Senna, na Região da Vila A) e alguém me disse “viu que morreu o cara do Legião?”.

A tristeza era algo incompreensível naquela altura da vida. Da minha pelo menos.

Eu demorei dez anos para expressar – conseguir expressar – pela primeira vez a importância da Legião Urbana em minha vida e em entender o quanto o Renato contribui para uma geração que perdia, cada vez mais, a rebeldia. Lembro-me de ter dito, sozinho, enquanto ouvia Descobrimento do Brasil, “esse cara foi o poeta do bem”. Em um país repleto de produtos musicais alegres, coloridos, elaborados, mas vazios de amor, as letras de bem e de guerra da Legião Urbana representaram o poder e a sutileza da simplicidade.

 

E, por amar tanto o que o Renato representou, que eu demorei pra ir lá ver o filme sobre ele, o Somos tão jovens.

Assisti ontem, numa sala com pouco mais de cinquenta pessoas, todas jovens.

Achei lindo o filme.

Aquele não era o Renato. Não o meu Renato.

Apesar da bela atuação e do contexto histórico – Brasília – terem sido decisivos para o sucesso do filme, o roteiro, me pareceu, apesar das pesquisas feitas, tratou de forma rasa os movimentos aleatórios da mente do maior poeta do Rock brasileiro. As principais decisões eram simplificadas e a personalidade de Russo passou de perturbada – e perturbadora – para infantilizada e momentânea. Como se ele não fosse mais incisivo e, principalmente, mais realista. Ele não queria mudar o mundo – isso é romântico demais para quem sabe o que é realmente o amor, como ele sabia – mas queria, sim, levar sua mensagem de paz. A inserção, durante o filme, de pequenos piparotes de Renato – como seu interesse por signos e por meninos – foi insuficiente para entendermos a verdadeira origem das palavras por ele cantadas.

Mas, confesso, apesar da frustração em alguns momentos, entendi o quanto houve um esforço para transcrever às novas gerações um Renato Russo heróico e disposto a expandir os sentimentos, através de poesias e canções. Quem for ver o filme, precisa ter a consciência de se tratar – apenas – de um filme e que pouco menos de duas horas é pouco para se retratar a grandeza do poeta.

 


 

 * Luiz Henrique Dias é encenador da Cia Experiencial O Teatro do Excluído de São Paulo e membro do Núcleo de Dramaturgia SESI – PR. Leia mais em www.luizhenriquedias.com.br

 

 

 

 

 

 

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