Um susto no início da tarde de sexta-feira (17) fez muitos motoristas e pedestres questionarem a segurança da Ponte Internacional da Amizade. Uma densa fumaça vinda das galerias subterrâneas de cabos forçou o bloqueio momentâneo da principal ligação entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este. O incidente, somado a uma percepção de oscilação da pista acima do normal, gerou debates nas redes sociais sobre as condições reais da estrutura de 61 anos. A resposta curta e direta das autoridades e especialistas é: sim, a ponte é segura.
A fumaça que gerou pânico foi causada por um curto-circuito isolado no sistema de fiação subterrânea que abriga a infraestrutura de fibra óptica e cabos elétricos. De acordo com a EPR Iguaçu, concessionária responsável pela administração do trecho, as equipes de Conservação, Tecnologia e Automação agiram rápido, desligando o sistema preventivamente com o apoio do Corpo de Bombeiros e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Em nota atualizada na manhã deste sábado (18) ao Portal Clickfoz, a concessionária garantiu que o incêndio ficou restrito aos dutos e não causou nenhum dano estrutural à passarela. O tráfego já flui normalmente nos dois sentidos da fronteira.
Por que a ponte balança tanto?
O balanço que assustou os usuários nesta semana tem explicações físicas perfeitamente normais. Pontes de grande porte, especialmente as feitas de concreto armado como a da Amizade, são projetadas para serem flexíveis. Se elas fossem totalmente rígidas, a força dos ventos e o peso dos veículos quebrariam a estrutura.
Dois fatores coincidiram nesta semana de julho para tornar essa oscilação mais perceptível:
- Rajadas de vento de 60 km/h: Foz do Iguaçu enfrenta dias de ventos fortes, o que naturalmente faz a estrutura reagir e se movimentar para dissipar a energia.
- Férias escolares e trânsito parado: Com o aumento do fluxo turístico de julho, o trânsito sobre a ponte fica lento. Quando o motorista fica parado no congestionamento em cima da pista, ele sente o balanço oscilar de forma muito mais nítida do que se estivesse cruzando o trecho em velocidade normal.
Estrutura sexagenária e o desafio do tráfego pesado

Inaugurada oficialmente em 1965, a Ponte da Amizade passou por duas grandes reformas estruturais e de revitalização: uma em 2002 e outra em 2015, quando ganhou a cobertura para pedestres.
O desafio atual é o gigantismo do fluxo. Em 2015, a Câmara de Comércio de Ciudad del Este estimava o movimento em 4 milhões de pessoas ao ano. Hoje, dados da Receita Federal apontam que a ponte recebe cerca de 100 mil pessoas e 45 mil veículos diariamente, o que representa mais de 36,5 milhões de pessoas por ano — um salto impressionante de 812,5% de crescimento no fluxo em 11 anos.
Esse crescimento explosivo preocupa o setor produtivo. Recentemente, a Câmara de Comércio e Serviços de Ciudad del Este apresentou uma proposta técnica para restringir a passagem de caminhões pesados de carga apenas para o horário das 17h às 6h da manhã. O objetivo é liberar o tráfego diurno para vans, ônibus e carros de turismo e, principalmente, evitar que carretas fiquem paradas por horas sobre a pista devido às filas aduaneiras, o que gera uma sobrecarga física contínua na estrutura.

A associação paraguaia defende que engenheiros executem avaliações técnicas e estruturais periódicas na passarela.
Enquanto novos modelos de ordenamento de tráfego são discutidos pelas autoridades dos dois países, a EPR Iguaçu reforça que mantém o monitoramento constante do local para garantir a operação segura do segmento. Em caso de dúvidas ou emergências na pista, os usuários podem acionar o atendimento 24 horas da concessionária pelo telefone 0800 277 0163.
Foto em destaque: Divulgação/Ministério dos Transportes do Brasil













