O Congresso da Argentina começou a discutir, nesta semana, um projeto de lei que prevê a criação de uma nova moeda nacional: a Argentum. A proposta estabelece a substituição gradual do peso argentino a partir de 2026, com uma taxa de conversão inicial de 1 Argentum = 1 000 pesos.
A medida foi apresentada pelo deputado liberal José Luis Espert, que relatou a proposta idealizada pelo também deputado Ricardo López Murphy, economista e ex-ministro da Economia.

Segundo os autores, a criação da Argentum busca estancar a desvalorização do peso, combater a inflação crônica e recuperar a confiança no sistema financeiro do país.
Substituição gradual e controle fiscal
O projeto determina que a Argentum seja introduzida de forma progressiva, com o peso argentino ainda em circulação durante o período de transição. A substituição completa só ocorrerá após a consolidação da nova moeda como referência monetária e unidade de conta oficial.
Além do câmbio inicial fixado em mil pesos para cada Argentum, o texto prevê restrições à emissão descontrolada de moeda, com regras fiscais e monetárias rígidas, a fim de evitar distorções inflacionárias e garantir estabilidade.
A proposta também inclui a criação de um conselho autônomo para supervisionar a implementação da Argentum e definir suas políticas de emissão, inspirado em modelos de bancos centrais independentes. O projeto ainda precisa ser aprovado pelas comissões e votado em plenário.
O “peso” da Argentina: uma história de cortes e recomeços
A Argentina já passou por diversas mudanças de padrão monetário ao longo de sua história recente. O peso como moeda nacional foi estabelecido em 1881, sendo substituído pela “lei do peso 18.188” em 1970, que removeu dois zeros da unidade anterior.
Em 1983, surgiu o peso argentino, com a exclusão de quatro zeros. Apenas dois anos depois, em 1985, foi criado o Austral, que eliminou mais três zeros. Por fim, o peso atual entrou em circulação em 1991, com a retirada de quatro zeros do Austral.
Agora, com a proposta da Argentum, a Argentina pode repetir mais uma reconfiguração do seu sistema monetário, removendo novamente três zeros da moeda em circulação.
Divisão de opiniões no Congresso e na sociedade
A proposta de criar uma nova moeda dividiu opiniões entre economistas, parlamentares e a população. Os defensores argumentam que a medida é urgente diante do colapso da credibilidade do peso, que enfrenta inflação acumulada superior a 250% ao ano e crescente dolarização informal.
Críticos, no entanto, alertam que mudanças estruturais como essa exigem ampla legitimidade social e condições macroeconômicas mais estáveis. “Não se trata apenas de trocar o nome da moeda. Estamos falando de toda uma reestruturação do regime monetário argentino. Isso exige responsabilidade, transparência e, sobretudo, confiança do povo”, afirmou um analista ouvido pelo jornal Clarín.
Argentum como símbolo de reinício
Os autores do projeto destacam que o nome “Argentum” — derivado do latim para “prata”, origem do nome Argentina — simboliza um novo ciclo de soberania e estabilidade econômica. A intenção é que a nova moeda represente um marco de ruptura com o passado inflacionário do país.O debate sobre a implantação da Argentum deve se intensificar ao longo do segundo semestre de 2025. Caso aprovado ainda este ano, o projeto prevê que a nova moeda comece a circular a partir do primeiro semestre de 2026


