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ter, 28 de jul 2026

Duplicação da Rodovia das Cataratas em risco: Grupo Dalba pede recuperação judicial e pode não concluir obra em Foz

Empresa responsável por obras como a duplicação da BR-277 e da BR-469 enfrenta colapso financeiro após pandemia, suspensão de contratos públicos e cancelamento de edital bilionário.
Grupo Dalba entra com pedido de Recuperação Judicial.

O Grupo Dalba, um dos maiores nomes da construção pesada no Paraná, entrou com pedido de recuperação judicial. O consórcio é responsável por grandes obras como a duplicação da Rodovia das Cataratas em Foz do Iguaçu, a duplicação e restauração em concreto da PRC-466 entre Palmeirinha e Guarapuava, a restauração em concreto e ampliação da capacidade da PRC-466 entre Pitanga e Manoel Ribas, e a duplicação da BR-277, no Contorno Oeste de Cascavel. 

A medida, a qual o Portal Clickfoz teve acesso, foi protocolada no último dia 14 de abril, na 1ª Vara Cível de Ponta Grossa, sob o número 0012281-36.2025.8.16.0019, busca reorganizar as dívidas da empresa e garantir sua sobrevivência diante de uma crise financeira desencadeada por alta de custos, contratos deficitários e um cancelamento bilionário.

Pandemia, insumos caros e crédito restrito pressionaram o caixa

De acordo com a petição, o grupo enfrentou um colapso financeiro progressivo. A pandemia elevou o preço dos insumos — como cimento, CAP e aço — ao mesmo tempo em que fornecedores encurtaram os prazos de pagamento. Para continuar operando, o grupo precisou baixar preços e aceitar obras com margem apertada.

A consequência foi imediata: queda de faturamento, acúmulo de prejuízos e dificuldades para equilibrar as contas. Mesmo com a estrutura operando no limite, o Grupo Dalba viu sua carteira de obras encolher.

Edital bilionário cancelado agravou o prejuízo

O estopim da crise foi o cancelamento de um edital do DER-PR, devido a uma investigação de corrupção que apontava para irregularidades na contratação e fiscalização das obras, incluindo pagamentos indevidos à empresa e desvios de verbas, que poderia render mais de R$ 1,5 bilhão em novos contratos. A Dalba venceu 15 lotes, manteve sua estrutura esperando o início das obras, mas o processo foi suspenso pelo Tribunal de Contas e posteriormente cancelado.

Sem o contrato, a empresa acumulou prejuízos de mais de R$ 50 milhões entre janeiro e outubro de 2024.

Rodovia das Cataratas: obra emblemática em ritmo lento

Outro ponto de tensão envolve a duplicação da BR-469, a Rodovia das Cataratas, em Foz do Iguaçu. Iniciada em 2022 com investimento de R$ 129,6 milhões, a obra prevê a duplicação de 8,7 km entre o trevo da Argentina e o Parque Nacional do Iguaçu.

Projeto de duplicação da BR-469, vencido pelo Consórcio Dalba Engenharia Ltda e Comércio Bandeirantes Ltda, previa avenidas marginais; passarelas, viadutos e ciclovias — Foto: Divulgação/Fundo Iguaçu.

Apesar disso, nenhum trecho foi entregue até hoje. Até janeiro de 2025, o avanço físico da obra era de apenas 42,4%, segundo dados oficiais. Os motivos para o atraso incluem problemas de desapropriação, redes de infraestrutura não mapeadas, mudanças de projeto e execução abaixo do previsto.

A lentidão da obra impacta diretamente o turismo, a mobilidade e o comércio local — além de gerar questionamentos sobre a capacidade operacional do consórcio executor.

Empresa alega viabilidade e quer negociar com credores

Na petição, o grupo afirma que sua atividade é plenamente viável e que possui estrutura técnica, reconhecimento e tradição no setor de obras públicas. O objetivo da recuperação judicial é abrir espaço para negociar com credores, evitar bloqueios judiciais e permitir o replanejamento financeiro sem paralisar contratos já em execução.

O grupo também solicita autorização judicial para continuar participando de licitações, mesmo sem apresentar certidões negativas, conforme previsto na Lei 14.112/2020.

Impacto em Foz e futuro da obra na BR-469

O desfecho desse processo terá repercussões diretas nas obras em curso, especialmente na duplicação da Rodovia das Cataratas — considerada essencial para o turismo e a mobilidade em Foz do Iguaçu. Caso a Justiça aceite o pedido, o Grupo Dalba poderá evitar colapsos maiores, reorganizar suas dívidas e seguir operando sob um plano de recuperação.

Mas a dúvida que permanece é inevitável: Será que uma empresa fragilizada financeiramente, atolada em contratos deficitários e com obras paralisadas, conseguirá mesmo concluir um projeto tão estratégico quanto a duplicação da BR-469?

Aceitar a recuperação judicial é uma aposta. Resta saber se, dessa vez, a estrada vai terminar em asfalto — e não em poeira e pizza.

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O Wonder Park Foz amplia sua estrutura de lazer com a inauguração do Wonder Games, a quinta experiência oficial do complexo. A novidade traz para a fronteira um conceito de fliperama imersivo, no qual os participantes dispensam os joysticks tradicionais e usam o próprio corpo para comandar as partidas.

A atração conta com duas salas tecnológicas equipadas com painéis de LED que reagem em tempo real aos movimentos. A proposta combina atividade física, agilidade, raciocínio rápido e trabalho em equipe, atendendo desde crianças até adultos e grupos corporativos.

Como funciona o Wonder Games

Os grupos, formados por 2 a 12 participantes, podem reservar as salas por períodos mínimos de 40 minutos. Antes de começar, os jogadores escolhem a modalidade do desafio e o nível de dificuldade, tornando o jogo personalizado.

  • Sala Parede de LED: Toda a interação e os alvos do jogo ocorrem no painel vertical, exigindo reflexos rápidos e precisão.
  • Sala Piso de LED: Os desafios acontecem sobre o chão interativo, exigindo que os jogadores se movimentem, saltem e desviem de obstáculos no piso.

 

O objetivo principal em ambas as modalidades é cumprir missões no menor tempo possível, desviar de áreas de risco e acumular a maior pontuação em grupo.

Reforço no ecossistema de entretenimento

Com o lançamento, o Wonder Games passa a compor o portfólio de atrações do parque, que já reúne o Movie Cars, o Show das Águas, o Lumina Park e a Big Land, além da hamburgueria temática Bonnie’s Burger, inspirada nos lanchonetes americanas dos anos 1950.

Segundo a direção do complexo, a nova estrutura visa ampliar o tempo de permanência dos turistas em Foz do Iguaçu e oferecer mais uma alternativa de lazer indoor para moradores da região, focando em atividades interativas para todas as idades.

 

 

 

Fotos: Divulgação/Wonder Park

Uma ação conjunta entre a Receita Federal e o Exército Brasileiro resultou na apreensão de uma pistola de fabricação italiana na pista de motocicletas da Ponte Internacional da Amizade, na aduana que liga Foz do Iguaçu a Ciudad del Este. A ocorrência foi registrada durante os trabalhos de fiscalização da Operação Ágata nesta segunda-feira (27/07).

Durante a abordagem de rotina a uma motocicleta com placas do Paraguai, ocupada por um condutor paraguaio e uma passageira brasileira na garupa, as equipes decidiram vistoriar o baú do veículo.

Pistola Beretta e perfumes apreendidos

No compartimento de carga da moto, os fiscais encontraram cinco frascos de perfumes e uma pochete. Dentro da bolsa estava escondida uma pistola modelo Beretta APX, calibre 9 mm, que estava desmuniciada, acompanhada por dois carregadores vazios.

O motociclista, a passageira e a arma apreendida foram encaminhados à Delegacia da Polícia Federal em Foz do Iguaçu para a lavratura dos procedimentos legais. A motocicleta utilizada no transporte e as demais mercadorias encontradas permaneceram retidas na Aduana da Receita Federal.

 

 

Com informações: Assessoria de Comunicação da Alfândega da Receita Federal em Foz do Iguaçu
Foto: Divulgação/Assessoria de Comunicação da Alfândega da Receita Federal em Foz do Iguaçu

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A geopolítica na América do Sul e a convivência entre países vizinhos vivem um momento de evidente sensibilidade. Na última sexta-feira (24), uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reacendeu feridas históricas do século XIX e provocou uma dura reação do Poder Legislativo do Paraguai nesta segunda-feira (27).

Ao discursar na fábrica da Avibras, em Jacareí (SP), para defender o aumento de gastos na defesa e o fortalecimento das Forças Armadas brasileiras, Lula usou a Guerra da Tríplice Aliança como justificativa orçamentária. “Nós gostamos de paz. Mas um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil. A Guerra do Paraguai custou três orçamentos do Brasil na época. Quando você entra em guerra, não fica perguntando se tem dinheiro ou não”, declarou o presidente.

Repúdio do Congresso Paraguaio

A resposta de Assunção veio de forma rápida e oficial. O presidente do Congresso Nacional do Paraguai, Basilio “Bachi” Núñez, divulgou um comunicado cobrando “respeito e sensibilidade” do mandatário brasileiro ao tratar da memória histórica de seu país.

“Não se trata de um enojo circunstancial nem de uma diferença política do presente, mas de uma memória que atravessa gerações e forma parte essencial da identidade de nossa Nação”, rebateu Núñez. Para o parlamento paraguaio, a simplificação do conflito que devastou o país — dizimando cerca de 70% da sua população masculina — fere a soberania e a sensibilidade nacional.

O tabuleiro geopolítico atual: EUA, China e sobretaxas

O atrito verbal não acontece em um vácuo. A região enfrenta um redesenho de alianças estratégicas.

De um lado, o governo paraguaio vem se aproximando ostensivamente dos Estados Unidos, inclusive aceitando negociações para a instalação de bases e cooperação militar norte-americana em seu território. Do outro, o Brasil busca ampliar sua parceria econômica com a China para diversificar mercados e reduzir a dependência de Washington.

A equação ficou ainda mais complexa com a postura do governo de Donald Trump nos Estados Unidos, que impôs sobretaxas às importações de produtos brasileiros e fez declarações públicas sobre as eleições presidenciais no Brasil, pressionando a diplomacia em Brasília.

A história sob dois ângulos e o risco de ser peças de um jogo alheio

Historicamente, a análise do conflito de 1864 envolve complexidades que vão além de apontar apenas um agressor. Antes da invasão militar ordenada por Solano López ao Mato Grosso e ao Rio Grande do Sul, o Império do Brasil havia intervindo militarmente no Uruguai para depor o governo do Partido Blanco, aliado de Assunção, e bloqueado rotas de acesso do Paraguai ao oceano.

A reação desesperada de López desencadeou o maior conflito armado da América do Sul. Contudo, o prosseguimento da guerra promovido por Dom Pedro II, mesmo após o Paraguai estar totalmente derrotado, resultou em massacres que até hoje marcam a memória do povo vizinho.

Em um momento em que a cooperação econômica e o turismo na fronteira entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este demandam pontes, a retórica política reacende rusgas que o tempo e a diplomacia vinham tentando cicatrizar.

Mais de 160 anos depois, o cenário se desenha com contornos parecidos aos do século XIX: enquanto Washington e Pequim disputam hegemonia global, Brasil e Paraguai correm o risco de servir como mero tabuleiro de xadrez para interesses alheios. Para que a integração regional avance de fato, ambas as nações precisam da maturidade de aprender com as tragédias do passado. A verdadeira soberania sul-americana não se constrói trocando farpas por conta de pressões externas, mas sim fortalecendo a confiança e a parceria entre povos irmãos.

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