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sáb, 09 de maio 2026

O empresário e as horas de espera na fronteira com a Argentina

Foto: Arquivo

Há muitos anos, em toda a alta temporada ou em feriados prolongados, enfrentamos o mesmo problema: as intermináveis filas e horas de espera para cruzar a fronteira com a Argentina.

Desde junho de 2008, os turistas dos países que compõem o Mercado Comum do Sul, o Mercosul, podem apresentar apenas a cédula de identidade nas viagens realizadas nos locais que formam o bloco. Não é preciso levar passaporte nem visto de entrada.

A decisão do Conselho do Mercado Comum (CMC), órgão decisório do Mercosul, visava facilitar o trânsito de cidadãos para aprofundar a integração regional. Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai são os países fundadores do Mercosul, já Chile, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela integram o bloco como associados. 

Para turistas brasileiros, os documentos aceitos para cruzar a fronteira dos países que compõem o bloco e países associados são: Registro de Identidade Civil, Cédula de Identidade expedida por cada Unidade da Federação com validade nacional. Estrangeiros com residência legal no Brasil precisam apresentar Cédula de Identidade de Estrangeiro expedida pela Polícia Federal e Passaporte.

Para facilitar o trâmite migratório dos brasileiros, especificamente na fronteira entre Brasil e Argentina em Foz do Iguaçu, o governo argentino aceita também como documento a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), porém, apenas para os brasileiros que pretendem permanecer dentro do limite da faixa de fronteira, podendo avançar até 50km no território argentino.

Os transtornos causados aos turistas pelas imensas e demoradas filas para atravessar a fronteira com a Argentina em dias de grande movimento, já não são novidade aqui na fronteira. Mas, neste último fim de semana, um turista em especial decidiu fazer um desabafo em suas redes sociais e acabou levando a discussão deste problema regional para todo o Brasil.  

No sábado, 13, o empresário Luciano Hang, co-fundador e proprietário de uma das maiores redes de lojas de departamento do Brasil, esteve em Foz do Iguaçu visitando as duas filiais que mantém na cidade. Com o fim de seus compromissos profissionais, decidiu atravessar a fronteira para jantar e degustar da boa e conhecida culinária argentina. Ele só não contava com a imensa fila de veículos que seguia rumo ao país vizinho naquele horário e após aproximadamente duas horas de espera, desembarcou do veículo que o transportava e fez uso de suas redes sociais para divulgar um vídeo criticando a, segundo ele, burocracia argentina.
Veja o vídeo:

 

É muito comum ouvir – ou ver e ler – críticas de brasileiros ao sistema de imigração e sua “lentidão”. Porém, apontar o governo argentino e seu sistema como culpados da lentidão, é no mínimo um ato precipitado, que originados de um “brasileiro comum”, até passariam despercebidas, mas definitivamente, não dá para concordar ou deixar passar despercebida uma crítica rasa como a que se pode verificar no vídeo, proveniente de um notório e bem sucedido empresário que aparentemente tem fortes laços com o governo federal brasileiro e total conhecimento do sistema.

FATOS QUE O BRASILEIRO PRECISA SABER ANTES DE CRITICAR A ARGENTINA

O sistema de controle de imigração utilizado na aduana Argentina, em Puerto Iguazú na fronteira com o Brasil, em Foz do Iguaçu, é um dos mais modernos da América do Sul, passou por mudanças no último ano e, em breve, deverá funcionar em conjunto com o sistema brasileiro, após a implantação dos “e-Gates” do lado brazuca da fronteira.

O sistema deles, aliás, funciona muito bem e, interligado a outras bases de dados como a da Interpol, impede que dezenas de estrangeiros com histórico de antecedente criminal provenientes de diversas partes do mundo ingressem em território argentino diariamente.

Num passado não muito distante, basta lembrar que, graças ao rigoroso controle aduaneiro argentino, foi possível localizar na Itália, o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, que após receber informações privilegiadas, fugiu do Brasil – dois meses antes de sua prisão ser decretada – utilizando o passaporte de seu irmão. Depois de ser dado como foragido da justiça, sua foto foi inserida no sistema da Interpol e através de sua imagem, que ficou registrada na Argentina, foi possível descobrir seu paradeiro.

A rigorosidade e a eficiência do atual sistema de imigração argentino vem mantendo a cidade de Puerto Iguazú com o menor índice criminal dentre as três cidades que formam a região da tríplice fronteira.  

Mas, não é a rigorosidade do sistema que vem causando toda essa “lentidão” na travessia da fronteira. Acontece que o sistema moderno dos argentinos não prevê o uso de um documento tão “arcaico” quanto o nosso Registro de Identidade Civil (RG). Os cidadãos argentinos utilizam o Documento Nacional de Identificação (DNI) que é confeccionado como um cartão bancário, faz uso de chip que contém todas as informações do cidadão e pode ser lido pelo sistema apenas aproximando o cartão da leitora. No Brasil, apenas os passaportes utilizam esta tecnologia. 

Até mesmo paraguaios e chilenos já fazem uso do DNI com chip, mas aqui no Brasil, a ideia de confeccionar um documento de identificação nacional único tramitou pelos setores governamentais por quase meio século antes que uma lei fosse criada, tramitada pelo mandato de três presidentes e, finalmente sancionada.

Aprovada pelo Congresso Nacional em 2017 e sancionada pelo presidente Michel Temer, a lei que unifica todos os documentos de identidade com base nos registros biométricos da Polícia Federal e da Polícia Civil criando um novo documento com chip já entrou em vigor há dois anos, mas na prática, ainda não funciona. O documento ainda não começou a ser emitido para o grande público, apenas servidores federais estão recebendo o novo documento, e ainda em fase de testes. Existe uma previsão que, a partir de 2021 o documento passe a ser emitido gradualmente para a população, mas não será gratuito.

Enquanto brasileiros comuns permanecem sem acesso ao novo documento, a cada novo feriado prolongado e alta temporada, milhares deles enfrentam as filas para cruzar a aduana com a Argentina, onde o servidor do serviço de migrações argentino é obrigado a dar entrada manualmente em todos os dados contidos no documento, o que leva em média um (01) minuto por documento. Cada servidor do serviço de migrações argentino chega a dar entrada em mil (1000) documentos por turno na alta temporada. Se acaso o Brasil já estivesse em uso o documento único com chip, o tempo de atendimento por pessoa cairia para ⅓ (um terço) aumentando para três mil (3.000) o número de documentos que cada servidor conseguiria inserir no sistema.

Luciano Hang tem o direito de se revoltar com a demora? Claro, qualquer um de nós se revolta ao esperar mais de duas horas para cruzar uma aduana para fazer uma simples refeição.
Mas, diante de todo o poder que o proprietário de uma das maiores redes de loja de departamento e atual 11º homem mais rico do Brasil – segundo a Revista Forbes – possui, o mínimo que se espera é que ele busque informações antes de apontar culpados, e agora, sabendo de quem é a culpa, utilize sua influência junto ao governo para acabar com a “burocracia” que ele tanto odeia, a “pouca vergonha” e a “p****** do c***** (sic) que impendem esse documento de chegar às mãos dos brasileiros.

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O aguardado desfecho da quinta temporada de Pesadelo na Cozinha tem sabor iguaçuense. Vai ao ar nesta sexta-feira (8), na HBO Max, o episódio gravado em Foz do Iguaçu, que traz a transformação radical do restaurante Tio Ali Shawarmaria, localizado na Vila A. Para quem acompanha pela TV aberta, a exibição na Band acontece na próxima terça-feira (12).

Gravado em fevereiro de 2026, o episódio mostra o chef Erick Jacquin enfrentando os desafios da gastronomia árabe na fronteira. O foco da intervenção foi a reestruturação completa da organização, limpeza e planejamento do estabelecimento, que agora busca um novo fôlego no mercado local.

Erick Jacquin no comando de ’Pesadelo na Cozinha’. Foto: Renato Pizzutto/Divulgação Band.

Cataratas e Mercado Barrageiro em cena

Além do drama na cozinha, o episódio é uma vitrine para o turismo. O Parque Nacional do Iguaçu ganha destaque com cenas deslumbrantes das Cataratas, reforçando o potencial da cidade como cenário para grandes produções nacionais.

Outro ponto importante da logística foi o Mercado Público Barrageiro. A equipe do chef francês utilizou o espaço para os testes e a preparação do novo cardápio, integrando um dos novos pontos de encontro da cidade à narrativa do programa.

Grande estrutura de produção

Para transformar o restaurante em Foz, o programa mobilizou uma equipe de quase 60 profissionais. Entre iluminadores, maquiadores, especialistas em gastronomia e infraestrutura, a produção movimentou o setor de serviços na cidade durante as gravações.

 

 

Foto em destaque: Divulgação Urbia+Cataratas/Eagle Eye Company

 

Prepare a caneca e a curiosidade: a ciência está prestes a invadir a vida noturna de Foz do Iguaçu. Entre os dias 18 e 21 de maio, a cidade recebe o Pint of Science 2026, festival internacional que leva pesquisadores para fora das universidades para debater temas complexos de forma descontraída em bares e espaços públicos.

Com início sempre às 19h e entrada gratuita, a programação deste ano em Foz abrange desde o uso de canetas emagrecedoras até a produção de alimentos no espaço. O evento é organizado pelo projeto de extensão Fronteira da Ciência, da UNILA, e coloca o Paraná como o estado com maior número de cidades participantes no Brasil.

Destaques da Programação

A edição de 2026 traz nomes de peso da divulgação científica nacional. Um dos destaques é Carola Carvalho, idealizadora do Spacebeer Project, que discutirá como leveduras encontradas na biodiversidade brasileira podem ser aplicadas na produção de alimentos em contextos de exploração espacial.

Outra presença confirmada é a influenciadora Kananda Eller, conhecida como a “Deusa Cientista”. Com milhares de seguidores nas redes sociais, ela trará o debate sobre a ciência decolonial, valorizando os saberes produzidos no Sul Global e por grupos historicamente invisibilizados.

O festival também abordará temas do cotidiano, como a filosofia por trás do conceito de crime, a origem da criatividade humana e a eficácia das canetas emagrecedoras no combate à obesidade.

Confira a programação completa em Foz do Iguaçu:

18/05 (Segunda-feira) | 19h no Rafain Chopp (Jeca Espetinho)

  • Canetas emagrecedoras: é o fim da obesidade? – Daiana Pepe (Nutricionista).
  • Fofofauna: e quando a fauna não é fofa? – Elaine Soares (UNILA).

 

19/05 (Terça-feira) | 19h no Mercado Público Barrageiro

  • Mistérios do Universo Extremo – Rita dos Anjos (UFPR – Palotina).
  • Da colmeia ao universo: sonhos de uma levedura viajante – Carola Carvalho (USP).

 

20/05 (Quarta-feira) | 19h no Hell’s Dogs Motorcycle Bar

  • Frutos do Iguaçu – Izabele Munaro (ICMBio).
  • A filosofia de um crime: conduta e intenção – Napoleão Schoeller de Azevedo Júnior (UNILA).

 

21/05 (Quinta-feira) | 19h no Mercado Público Barrageiro

  • Ciência decolonial – Kananda Eller (Deusa Cientista).
  • De onde vem a criatividade? – Cláudio Alexandre de Souza (Unioeste).

Ciência acessível

Para o coordenador local, Marco Polo Azevedo, o objetivo é mostrar que a ciência real é muito mais interessante que a desinformação. “A ciência apresentada de forma acessível desperta curiosidade e nos ajuda a entender melhor o mundo em que vivemos”, afirma. O evento conta com apoio do Itaipu Parquetec e patrocínio do Parque Nacional do Iguaçu e Parque das Aves.

 

 

Foto em destaque: Paula Suárez Riveros/UNILA-SECOM

Com o objetivo de elevar os índices de imunização e facilitar o acesso da população, as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) AKLP e São João estarão abertas neste sábado (9). O atendimento exclusivo para vacinação ocorrerá no período da tarde, das 14h às 18h.

A prioridade da Secretaria Municipal de Saúde é atingir os grupos prioritários da campanha contra a gripe (Influenza), com atenção especial ao público infantil. Até o momento, a cobertura vacinal entre crianças de seis meses a menores de seis anos é considerada baixa: apenas 10% da meta foi atingida, com pouco mais de 2,6 mil doses aplicadas para um público-alvo de 25,7 mil pequenos iguaçuenses.

Cobertura nos grupos prioritários

Enquanto o público infantil preocupa as autoridades, outros grupos apresentam números mais avançados:

  • Idosos: 34,74% da meta atingida (14.110 doses).
  • Gestantes: 33,32% da meta atingida (999 doses).

 

Para receber a dose, os moradores devem comparecer a uma das duas unidades portando documento pessoal e a carteira de vacinação.

Quem pode se vacinar?

Além de crianças, idosos e gestantes, a campanha contempla puérperas, povos indígenas, quilombolas, pessoas em situação de rua, indivíduos com comorbidades ou deficiência, professores, trabalhadores da saúde, forças de segurança, caminhoneiros e trabalhadores do transporte coletivo.

Agenda de vacinação em maio

O município já planejou as próximas datas para quem não conseguir comparecer neste sábado:

  • 16 e 30 de maio: UBSs AKLP e São João abertas das 14h às 18h.
  • 16 de maio (Ação Especial): Atividades recreativas no Sesc Vila A (11h às 14h) e em pontos como a Escola Elenice Milhorança e Centro de Convivência do Bubas (14h às 18h).
  • 23 de maio (Dia D): Todas as UBSs da cidade estarão abertas das 8h às 12h.

 

 

 

Foto em destaque: Divulgação/AMN

Foz do Iguaçu celebra um marco importante na saúde pública em 2026: o município ultrapassou a marca de um ano sem registrar óbitos por dengue. De acordo com o mais recente boletim epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde, o cenário atual é de controle, com apenas 13 casos confirmados e 2.368 notificações ao longo deste ano.

A queda nos indicadores é impressionante quando comparada aos anos anteriores. Para se ter uma ideia da evolução:

  • 2024: 14.683 casos confirmados e 10 mortes.
  • 2025: 1.031 casos confirmados durante todo o ano.
  • 2026 (até maio): Apenas 13 casos confirmados.

Estratégias de sucesso e tecnologia

A melhora nos números não é por acaso. A prefeitura atribui o sucesso ao conjunto de estratégias que unem o trabalho de campo à inovação tecnológica. Um dos grandes diferenciais foi a implementação do método Wolbachia — que utiliza mosquitos que não transmitem a doença para reduzir a população do Aedes aegypti.

Além da tecnologia, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) mantém um ritmo intenso de trabalho. Entre janeiro e maio de 2026, foram realizadas:

  • 52.203 vistorias domiciliares;
  • 16.123 criadouros eliminados;
  • 10.041 inspeções em armadilhas estratégicas.

O combate não pode parar

Apesar do cenário positivo, o secretário de Saúde, Fabio de Mello, alerta que o mosquito continua circulando. “O objetivo é evitar o retorno das epidemias que por anos afetaram nossa população. O trabalho precisa ser contínuo e permanente”, afirma.

A coordenadora técnica do CCZ, Renata Defante Lopes, reforça que a colaboração dos moradores é a peça-chave para manter Foz segura. A orientação é que cada cidadão realize uma vistoria semanal em sua casa ou comércio, eliminando qualquer recipiente com água parada e permitindo a entrada dos agentes de saúde.

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