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Saúde em Foz do Iguaçu

Foz registra 1 caso de HIV a cada 53 horas  Campanha de Combate à Aids este ano pretende estimular o uso de preservativo e frear o aumento dos índices da doença 

Campanha de Combate à Aids este ano pretende estimular o uso de preservativo e frear o aumento dos índices da doença 


Por: Assessoria

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A Secretaria Municipal da Saúde (SMSA) e a 9ª Regional da Saúde realizam amanhã (1º) uma série de ações no Dia Mundial de Combate à Aids. Além do uso de preservativos nas relações sexuais, os moradores também serão estimulados a fazer o teste rápido que detecta a presença do vírus HIV. Um grupo de transexuais vai distribuir material informativo na região central. Este ano, até o dia 18 de novembro, foram confirmados 142 novos casos de HIV/Aids em Foz. Em média, a cada 53 horas a cidade registra um diagnóstico positivo para a doença.

Os dados foram divulgados pelo programa municipal de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST). Em 2015, foram 143 casos, 15% a mais que em 2014 quando foram registrados 124 diagnósticos. Desde 1988, quando a doença começou a ser notificada, já foram identificadas 2.556 pessoas com o vírus HIV nos nove municípios da região, sendo 75% de Foz do Iguaçu.

O perfil regional dos soropositivos revela que 57% são homens e 43% mulheres; 73% são da raça branca, 18% parda, 7% negra e 2% amarela; e a faixa etária com maior número de casos é entre 20 e 49 anos, na qual estão 77% das mulheres e 82% dos homens. A maioria, 98% das mulheres e 71% dos homens, disse ser heterossexual. “Esses dados confirmam que a Aids não é uma doença de homossexuais, mas de todas as pessoas que tem vida sexual ativa e não usam preservativos. Hoje, não se fala mais em grupo de risco, mas em comportamento de risco”, afirmou a coordenadora do programa municipal de DST, Taiuska Bonadeu.

No Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), que funciona no Centro de Especialidades Médicas (CEM), foram realizados 2.196 testes rápidos este ano. Dos 1.073 homens que buscaram o diagnóstico, 54 tiveram resultado reagente (5%). Entre as mulheres, o percentual positivo é mais baixo. Foram registrados 1.123 testes, sendo 19 confirmados (1,69%). Outros 69 casos positivos foram registrados nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), que também dispõem do kit, cujo resultado sai em 30 minutos.

Para estimular o teste entre jovens gays e homens que fazem sexo com homens (HSH), a cidade recebeu em agosto o projeto A Hora é Agora – Testar nos Deixa mais Fortes, do governo do Estado. Trata-se de uma unidade móvel equipada com dois laboratórios e operada por profissionais de saúde preparados para receber e encaminhar os pacientes. “Em quatro meses, registramos 740 testes rápidos, sendo que 93 foram da população-chave, com seis casos reagentes”, explicou Regina Gomes, servidora do município que atua como ponto focal na ação.

INDETECTÁVEL

A dedicação para o diagnóstico precoce está ligada ao Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), que estabeleceu a meta 90-90-90 a ser alcançada até 2.020. A ideia é que 90% das pessoas saibam seu estado sorológico; que 90% dessas pessoas estejam em tratamento; e que 90% das pessoas em tratamento, atinjam a carga viral indetectável.

Em Foz do Iguaçu, já há casos de diagnóstico não detectável devido ao uso de antirretroviral, que retarda a progressão da imunodeficiência e restaura, tanto quanto possível, a imunidade. Uma moradora de 24 anos, cujas iniciais do nome são A.C.A., fez o último exame em agosto, e pela primeira vez recebeu o diagnóstico indetectável. “É uma vitória, fiquei muito feliz, pois são anos de tratamento e luta”, celebrou.

Ela nasceu com o vírus HIV, enfrentou preconceitos e discriminação na infância, perdeu a mãe aos nove anos, viveu em orfanato e conheceu o marido num congresso sobre a doença em Brasília. Ele também é soropositivo desde o nascimento e já havia atingido a carga viral não detectável. O casal tem dois filhos, de cinco e três anos, e as crianças não são portadores da doença.

PROGRAMAÇÃO

O esforço para conscientizar a população para os riscos do HIV vai ganhar visibilidade no dia 1º de dezembro, Dia Mundial de Combate à Aids. Em Foz, haverá cerimônia oficial na 9ª Regional da Saúde às 8h com a presença da superintendente da Vigilância Epidemiológica do Paraná, Cleide de Oliveira. Às 9h, o programa municipal de DST apresentará dados estatísticos e a partir das 10h a população poderá fazer testes rápidos no local.

À tarde, das 14h até às 17h, o trailler do projeto A Hora é Agora estará à disposição dos moradores na Praça do Mitre, seja para diagnósticos ou para orientações e informações. No mesmo espaço, a Associação de Travestis e Transexuais de Foz do Iguaçu estará distribuindo folders e preservativos masculinos e femininos. A entidade é conhecida como Casa de Malu, homenagem a uma jovem travesti que morreu em 2003, aos 22 anos, vítima da Aids.

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